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“O sonho do automóvel acabou em São Paulo”

Para o engenheiro de tráfego Horácio Augusto Figueira, não existe solução para o congestionamento de carros, mas sim para o transporte coletivo. Ele contesta a ideia de José Serra de que mais ônibus iriam piorar o trânsito na cidade. “É o contrário, são os automóveis que engarrafam o trânsito do transporte coletivo e não deixam os ônibus andarem.”

Por Felipe Rousselet

Segundo Figueira, nenhuma obra viária vai solucionar o problema da mobilidade em São Paulo (Foto: Leandro Siqueira / Flickr)

Recente pesquisa divulgada pela empresa Ticket, especializada em gestão de benefícios-transporte (como o bilhete único), apontou que o paulistano paga a tarifa média de transporte público mais cara do país, sem considerar a integração. Porém, mesmo pagando uma passagem tão cara, o morador de São Paulo convive diariamente com congestionamentos, ônibus lotados e falhas recorrentes no sistema de transportes sobre trilhos.

Este tema deve ser um dos principais pontos da eleição municipal deste ano. Em debate organizado pelo Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) sobre o livro O Triunfo das Cidades, do economista americano Edward Glasser, o pré-candidato do PSDB, José Serra, afirmou que investimentos em linhas de ônibus só iriam engarrafar mais a cidade. Para ele, a solução para a mobilidade da cidade são obras viárias que desafoguem o trânsito do centro, além de investimentos no Metrô e na CPTM.

O SPressoSP entrevistou o engenheiro de tráfego e vice-presidente da Associação Brasileira de Pedestres, Horácio Augusto Figueira, para saber a sua opinião sobre o transporte público em São Paulo e conhecer as suas propostas para melhorar a mobilidade urbana. 

SPressoSP – Como o senhor avalia o custo-benefício do transporte público em São Paulo?

Horácio Augusto Figueira – Em termos de custo-benefício, fora do horário de pico, dá para você usar como serviço comum. Nos horários de pico, por não ter velocidade compatível nos corredores, os ônibus andam em baixa velocidade e lotados. Não é um serviço de boa qualidade. Para reverter essa situação, teria que ser dada prioridade total para os ônibus no sistema viário e, para isso, você tem que incomodar o usuário de carro, não tem outro jeito. Não tem como conciliar privilégios ao transporte coletivo sobre rodas sem tirar uma faixa dos automóveis. Os R$ 3,00 que você paga hoje em São Paulo é uma tarifa cara para um serviço de baixa velocidade comercial.

Se houvesse uma boa velocidade, o serviço não seria caro, até pela integração entre ônibus e metrô, e também pela possibilidade do usuário pegar três ônibus no período de três horas. O que acontece é  um subsídio interno do sistema para aqueles que fazem viagens longas. O usuário que anda poucos quilômetros paga por aquele que vem de mais longe.

É caro por isso, um “caro relativo” e não em termos absolutos. Hoje, você pega metrô e ônibus e cruza a cidade inteira. Se compararmos com outras cidades não é mais caro, o problema é que em outras cidades muitas vezes você não tem o benefício de trocar de carro gratuitamente, e também não tem integração com o sistema sobre trilhos.

SPressoSP – Por que este custo-benefício ainda é tão caro?

Horácio Augusto Figueira – Pelo congestionamento imposto pelos automóveis, o poder público não tem a coragem de falar que uma faixa de ônibus transporta dez vezes mais pessoas que a mesma faixa ao lado de automóveis. A sociedade e a mídia cobram que existem muitos congestionamentos, acho que ainda tem pouco. Eu acabaria com o rodízio em São Paulo, para a cidade sentir o que é a verdade do automóvel.

Todo mundo quer andar de carro, mas não existe espaço físico que comporte mais automóveis na cidade de São Paulo. Não tem mais obra viária que vá resolver a questão da mobilidade por transporte individual. Não tem alargamento de marginal, ponte ou túnel que dê conta.

Não sou contra o automóvel. Tenho automóvel, mas me recuso a ir para o centro da cidade com transporte individual. Não cabe, é um problema físico. Você consegue colocar cem pessoas em 1 metro quadrado? Não consegue, e o que estão querendo fazer com o automóvel é isso. A 23 de Maio vai continuar a mesma, e não podemos desapropriar a cidade inteira para entupir com automóveis.

Você vê o que aconteceu na Marginal Tietê, a prefeitura e governo estadual investiram quase 2 bilhões de reais para alargar a Marginal e os congestionamentos voltaram. Aí eles restringiram os caminhões, e os congestionamentos voltaram. E agora, quem eles vão tirar? Os pedestres, vão acabar com as calçadas? Não tem o que fazer, a demanda é tão grande que qualquer avenida inaugurada hoje, em um mês já vai estar entupida.

SPressoSP – Quais medidas poderiam ser implementadas para melhorar a qualidade do transporte público?

Horácio Augusto Figueira – É preciso pegar o espaço viário, todo o que for necessário, para implantação de uma malha de corredores viários. Parece que a prefeitura anunciou a criação, até o fim do ano, de 140 km de faixas exclusivas, o que não é a oitava maravilha do mundo, por operar na direita e ter muita interferência, mas é melhor que nada. Até esperar que se construa um corredor adequado, operando na esquerda, é benéfico operar a faixa exclusiva na direita, que basta pintar, sinalizar e fiscalizar. Esta seria a primeira medida, deixar o ônibus andar.

São quatro questões que o usuário leva em conta na hora de optar por um meio de transporte. Por que as pessoas fogem do ônibus, metrô e trens lotados, indo pro carro? Primeiro, pela velocidade, os ônibus não conseguem andar no horário de pico. Entre um carro que não anda e um ônibus superlotado que não anda, as pessoas com renda maior optam pelo carro.

Questão do rodízio. No dia que meu carro está no rodízio, eu compro e uso uma moto. Assim, aumentam o número de acidentes devido ao risco deste meio de transporte e pela forma como a maioria dos motociclistas conduzem seu veículo. Uma forma quase que suicida. Olha que loucura, o automóvel veio e congestionou a cidade, e agora pessoas de alta renda estão comprando motos, tenho dados sobre isso. Para fugir do congestionamento que elas próprias criaram e também do rodízio. Então, estamos fugindo de tudo. Quando na verdade precisamos pensar em como fazer um choque de oferta.

Precisamos pegar duas faixas no horário de pico do corredor Nove de Julho, do Ibirapuera e do corredor Consolação-Rebouças para operação do transporte coletivo, doa a quem doer, porque vou conseguir transportar em duas faixas 20 mil pessoas por hora, quando eu precisaria de 20 faixas de automóvel para transportar a mesma demanda. Uma faixa de ônibus leva dez vezes mais clientes por hora que uma faixa de automóvel. Basta a decisão política para que isso seja feito.

SPressoSP – Recentemente o pré-candidato à prefeitura de São Paulo, José Serra, afirmou que investir em ônibus em São Paulo iria engarrafar ainda mais a cidade. O que o senhor acha desta afirmação?

Horácio Augusto Figueira – Iria engarrafar o trânsito de automóveis, quando, na verdade, é o contrário, são os automóveis que engarrafam o trânsito do transporte coletivo e não deixam os ônibus andarem. É um viés, precisamos voltar aos bancos escolares para ter uma aula sobre o que é engenharia de transporte de pessoas. O ex-governador que me perdoe, mas quando eles falaram que iriam alargar a Marginal Tietê eu avisei, em uma entrevista, que iam jogar nosso dinheiro no lixo. Nas dez faixas da Marginal Tietê passam em média 15 mil automóveis por hora. Se multiplicarmos esse número pela ocupação média de 1,4 passageiro em cada automóvel, dá 21 mil pessoas por hora. Qualquer engenheiro da prefeitura sabe que uma faixa exclusiva para ônibus biarticulados, bastando apenas permitir a ultrapassagem no ponto, consegue transportar, com um padrão razoável de conforto, todas as pessoas que estão entupindo as dez faixas da marginal.

Quando o candidato diz que vai entupir a cidade, ele só está enxergando o congestionamento de automóveis, e o que eu lamento é o congestionamento de ônibus. Se você entrar no site da SPTrans em horário de pico, você vai ver ônibus trafegando em corredores com velocidade média de 5km/h. A prefeitura sabe disso e não faz nada. Como poderíamos atuar nessa situação?

É só verificar o problema e aumentar mais uma faixa para o transporte público pelo tempo necessário. E os automóveis? Não estou mais preocupado com os automóveis. Se continuarmos preocupados com automóveis não tem mais o que fazer. Posso investir um trilhão de dólares em obras viárias em São Paulo que nunca mais vou conseguir resolver o problema da mobilidade.

Resumindo tudo o que estou falando, o sonho do automóvel acabou na cidade de São Paulo. Ele foi bom há 40 anos, quando era 1 em mil. Hoje, tem famílias que têm oito veículos para fugir do rodízio. É o rodízio da hipocrisia, você que é pobre não vai andar, mas eu que sou rico pego meu outro carro.

O metrô e o trem vão resolver o problema? Vão resolver os grande eixos de demanda, mas não da mobilidade de uma cidade que tem mais de mil linhas de ônibus. Você nunca vai ter uma malha de metrô de 2 mil quilômetros nem daqui a 1.000 anos. O sistema de ônibus é aquele que sobe o morro, que atende as ruas de bairros, e muitos dos seus eixos têm que ser estruturadores do sistema de  transportes. Tem eixos que não precisam de metrô.  Um corredor bem feito e bem operado resolve o atendimento da demanda, basta que você tenha linhas tronco. Por exemplo, a Rebouças, onde operam mais de 30 linhas de ônibus, teríamos que transformar em quatro ou cinco linhas troncos com ônibus biarticulados, como se fosse um metrôzinho sobre pneus. Outra medida é implantar um sistema de semáforo onde o ônibus converse com o semáforo por radiofrequência para diminuir o vermelho. Londres implantou isso em 77 e diminui 30% no tempo de percurso, e Curitiba está com isso faz três meses em todos os seus corredores.

(Colaborou: Maria Eduarda Carvalho)

Comentários

Comentários

  • 100% de acordo, ótimo texto !

    • Geo Pascoal

      òtimo foi bom, me vejo nesse embróglio, alias ja vivo nele, Curitiba esta pior, não ha expansão prevista, e a turma do Pé de porco e do joelho do porco, não largam o osso, é o caos, sofre povo que é isso ai.

    • Ótimo texto. Gostaria que algum candidato a Prefeito tivesse a coragem de afirmar que “O sonho do automóvel acabou em São Paulo”.

      • Chico Gretter

        Prezado Angelo,

        Como candidato a vereador pelo PSOL-50 venho publicamente afirmar que aquele “sonho do automóvel” que embalou o sono da classe média paulistana nos anos 70 já acabou faz tempo. Precisamos envestir no metrô, ciclovias e num bom transporte de ónibus. O PSOL fará isso se o nosso candidato a prefeito, Dep. Carlos Giannazi, for eleito. Abraço do

        CHICO GRETTER – 50022
        Vice-presidente da APROFFESP

  • Luciana

    Ou seja: precisamos apenas de gente inteligente na prefeitura de SP, o que EXCLUI o pé-de-porco mais corrupto do Brasil, o j.serra (ééécaaa!!!)

    • Rodolpho

      E excluir voce da cidade tambem…

      • Mauro_junior007@hotmail.com

        Rodolpho oque vc tem na kbça quér que jose serra seje prefeito de são paulo oque ele fez por são paulo ? Bosta nenhuma
        Gente assim merece vivre na bosta mesmo

  • Roma

    Falou e disse. Demorou pra seguirem estas ideias.

  • Marcelo Mig

    Ótima entrevista! O rei está nu, mas os carro-dependentes ainda não enxergam.

  • E ainda complemento que ajudaria em muito se houvesse infra estrutura e incentivos fiscais para que centros comerciais e empresas com grande número de funcionários migrassem para áreas mais afastadas do centro.

    • dmmg

      Discordo de vc Labeda. O centro é o lugar ideal para empresas com grande número de funcionários e centros comerciais. Veja, grande empresas e centros comerciais se beneficiam de estar no centro justamente por atraírem pessoas de todos os cantos da cidade, facilitando assim o acesso. Se, por exemplo, eu retiro uma grande empresa do centro e levo para a Zona Sul, você terá muitas pessoas da Zona Norte tendo que cruzar a cidade inteira para alcança-la. Precisamo facilitar o deslocamento das pessoas ao centro, e não tirar as pessoas do centro. Claro, não me refiro a empresas que necessitem de fluxo de caminhões, como uma grande distribuidora ou fábrica. Mas este tipo de empresa praticamente já abandonou o centro há tempos…

      • Victor

        E eu discordo de você, dmmg. Numa cidade das dimensões de São Paulo, não se pode esperar que todas as empresas fiquei no centro. Se uma empresa vai pra Zona, que contrate somente pessoas da Zona Sul, ou que as pessoas da Zona Norte procurem empregos mais pertos. A questão, no entanto, não deve se restringir ao emprego; emprego e moradia não podem mais estar dissociados. As cidades mais dinâmicas do mundo têm zonas mistas. Hoje faltam moradias dignas no centro da cidade, tanto quanto faltam boas empresas e centros comerciais em certo grotões da Zona Leste.

        • Anderson Lacerda

          Concordo inteiramente com seu cometário.
          Uma cidade como São Paulo é grande demais para concentrar empresas e serviços apenas no centro. Uma politica de expansão comercial, gerando emprego nas 4 zonas de São Paulo, reduzindo a distância do trabalho com certeza ajudaria muito no benefício de toda a cidade e sua população.

      • Diogo

        como alguém pode falar uma coisa dessas??
        a lógica é retirar o máximo de empresas do centro e instala-las nos bairros.
        desta forma, as empresas contratariam as pessoas que moram no entorno e não de outras regiões. Com isso, você reduz o tempo de deslocamento das pessoas e, consequentemente, melhora sua qualidade de vida, pois demorar 4 horas no transito para ir e voltar do trabalho não é qualidade de vida.

        • César

          Ao se afastar das áreas centrais, as empresas e instituições criam deslocamentos maiores. O transporte público coletivo não consegue atender a uma cidade DISPERSA no espaço de maneira adequada e eficiente. Localizações “mais afastadas do centro” incentivam e/ou forçam o uso do automóvel particular, justamente por estarem em regiões mais distantes. Nas áreas centrais, há maior e MELHOR oferta de transporte público coletivo.

      • Lucas

        Dmmg,acredito que a questão de trafegar de um lado a outro da cidade torne a utilização de automóveis menor. Se, por exemplo, for necessário ir de um extremo a outro da linha azul do metro, é muito mais viável ir de metro do que de carro. O problema seria o conforto, mas uma coisa leva a outra, com menos automóveis nas vias de São Paulo, mais espaço para o transporte público, o que em alguns casos diminuiria o tempo levado pelas linhas que mais trafegam nestes locais, fazendo com que uma parte dos usuários preferissem o ônibus ao metro. Aumentando assim o conforto de quem utiliza o metro. De outro ponto de vista há também a questão de que provavelmente a minoria precisaria ir de um lado a outro da cidade, sendo assim haveria mais espaço no transporte. Já hoje em dia a grande maioria é obrigada a se deslocar até o centro, vindo de todas as áreas, o que, acredito eu, cause maior impacto no transito.

  • MARCELO

    CONSIDERANDO QUE A MARTA QUERIA DERRUBAR AS ESTRUTURAS JÁ PRONTAS DO EXPRESSO TIRADENTES E QUEM REALMENTE TERMINOU ELAS FOI O GOVERNO DO SERRA, E APOS ANOS DE ESTAGNAÇÃO O METRÔ FOI AMPLIADO NO GOVERNO ATUAL… ESSA MATÉRIA TÁ COM JEITINHO DE SER PAGA PARA FINS POLITICOS… CORRUPTO? UM GOVERNO (PT) QUE BENEFICIA DETENTOS COM 2 SALÁRIOS MINIMOS A CUSTO DE TROUXAS QUE PAGAM IMPOSTOS EM DIA? DOLARES NA CUECA, MEIA… MENSALÃO…

    • Victor Valério

      Ele foi contra um ponto específico do Governo (o alargamento das Marginais) e mais nada, não seja paranóico também…
      PS: sou na maioria dos casos contra o PT diga-se de passagem!

    • darcio

      Não sabia que a marta queria derrubar o fura fila, de onde vc tirou isso? “anos de estagnação” do metrô quem responde por isso é o próprio PSDB que está há anos estagnado no poder, é o mesmo partido. E continua estagnado pq a velocidade das obras é ridícula, e a expansão mais ridícula ainda, e sobre corrupção a privataria tucana, amplamente documentada em livro abafado pela mídia faz o mensalão parecer brincadeira de criança

    • Fabinho

      Cara, isso é obsessão partidária sua. O problema é REAL. Tem que diminuir o espaço pra carro em SP e acabou. Independente de picuinhas partidárias.
      Parem com essa paranóia, senão a cidade vai ser sempre esse LIXO!

    • A gestão atual entregou obras (atrasadas) que começaram há oito anos. Porém, o mesmo partido (PSDB) está há 20 anos no poder do Estado e completou uma linha (a verde), entregou duas meias linhas (Lilás e Amarela) e reformou grande parte da CPTM. Nesse período todo, a cidade já poderia não somente ter as linhas 4 e 5 prontas como até mesmo a 6 em processo de finalização. Meu caro, se vc crê que uma matéria como essa tem fins políticos é porque só podemos discordar de um governo, não? Ou tivemos alguma diversidade para efeitos de comparação?

  • Alexandre

    Ele esta cobrerto de razao!!! Tenho 3 carros e agora a unica coisa que adiantou foi comprar uma moto!!! Estou frliz vou e volto no tempo que devrria ser ao usarmos transporte publuco, mas corro um risco enorme devido ao desrespeito dos proprios motoqieiros q usam as vias e corredores de modo inadequado. Acredito que a criacao de moto faixas e muito investimento em educacao no transito resolveria tbem nosso problema na cidade . Hoje ninguem esta feliz!

    • Renata

      Acho que o trabalho dos motoqueiros na cidade de São Paulo deveria ser limitado. Mais ou menos como os táxis. A licença para ser motoboy deveria ser dada pela prefeitura, limitando assim os que se dizem motoboys e não são, e também assaltos. Há muitos bandidos se passando por trabalhadores. Não é uma soluão muito justa, mas resolveria boa parte da questão de segurança de motoqueiros nas ruas. Ficariam aquelas pessoas que usam a moto como meio de transporte e aquelas que de fato trabalham e tiram da motocicleta o seu sustento.

      • Luiz Carlos

        Renata.
        Vc parece não ler muito…
        O maior número de acidentes com motos acontece não com motoboys, mas com pessoas que usam a moto para se deslocar de casa ao local de trabalho e vice versa. E o dia em que as motos passarem a ser usadas como o código de trânsito prescreve acabará a vantagem delas sobre os automóveis. Alías, vai ser pior estar de moto no trânsito do que de carro. Meu carro eu não preciso segurar para não cair enquanto estou parado no engarrafamento:-)

        • Felipe Fernandes

          Luiz Carlos, você está cometendo um pequeno equivoco, o artigo que proibia as motos de usarem o corredor entre os carros foi vetado pelo FHC quando presidente. Portanto as motos estão sendo usada do modo que o código de trânsito prescreve.

    • Luiz Carlos

      Alexsndre.
      O dia em que os motoqueiros passarem a usar a moto de modo ‘adequado’, acabará a vantagem que ela tem em relação aos carros.
      E não deve ser muito confortável ficar parado no trânsito, equilibrando a motocicleta (principalmente se for uma dessas grandonas), enquanto se espera o trânsito andar. A moto só é vantajosa com o uso da ‘bandalha’.

  • Ricardo

    Como pode alguém que pretende ser prefeito de São Paulo falar que mais ônibus congestionaria mais o trânsito? Sou usuário de ônibus e metrô, já fui de carro, há 7 anos e me utilizo normalmente do corredor Av. Sto Amaro/9 de julho. O que atrapalha os ônibus, principalmente em horário de pico, é a quantidade de taxis, ambulância, polícia no corredor que está escrito no piso “ônibus”. Esse é um pequeno exemplo.

    • Tiago

      Ambulancias, viaturas policiais em atendimento de ocorrência gozam de livre circulação e parada.

  • Maurício

    Isso ocorre pq os eleitores sistematicamente elegem políticos que se guiam pela lógica antiga do automóvel. E a mídia pinta eles de bons administradores para serem novamente eleitos e reeleitos… é um ciclo vicioso.

  • Tomas

    Discordo do entrevistado. Os investimentos devem ser concentrados em linhas de metrô. Já morei em Nova Iorque e Paris e tenho certeza que só metrô resolve. O trânsito nessas cidades ainda é um lixo, mas as linhas de metrô não, são boas o suficiente. Ônibus é andar pra traz, dar ré na reta. Além do que não tem qualidade, ficar balançando é coisa pra porco e galinha indo pro abate.

    • Madu

      Tomas, não dá pra comparar o tamanho de sao paulo com o tamanho de paris e NY. a questão é q essas cidades, assim como Londres, Berlin e Amsterdam, tem sitemas de transporte integrados. Aí com um bilhete, vc pega metrô, ônibus, trem e bonde.

      • Michel

        É evidente que os maiores investimentos devem ir para o Metro, mas para uma cidade do tamanho de SP, o ônibus é essencial.

      • Marcelo

        Caros,

        Já estive em Londres falando com gente que opera ônibus. Aqueles ônibus de 2 andares que parecem coisa de turista transportam 2 vezes mais passageiros que o famoso metrô “The Tube”. Um corredor de ônibus custa 10 vezes menos, leva 1/5 do tempo e pode transportar tanta gente quanto um metro. Concordo que tem que melhorar a qualidade dos ônibus, as estações e a limpeza, mas é possível fazer ônibus com qualidade, capacidade e velocidade de metrô. Já tem tecnologia para isso é só investir certo!

      • teagah

        malu, mas é caro d+ pra quem não é estudante nessas cidades q citou. as conheço. o ideal é bibicleta mesmo. porém eu não ando d bike em sampa pra não ser atropelado. é incrível mas o paulistano joga o carro em cima das pessoas. ônibus e caminhão passa por cima mesmo … e são paulo não é e jamais será uma cidade planejada. nessa bagunça, os políticos aproveitam pra roubar, roubar, roubar …

    • Victor

      Tomas, infelizmente, nossos problemas são mais urgentes do que isso. Nova York e Paris têm metrô a (pasme!) mais de 100 anos! O de São Paulo começou a operar tardiamente nos anos 70, e evoluiu muito lentamente. Pior, continua num ritmo muito aquém do necessário. Moro próximo do eixo Sumaré – Henrique Schaumann – Av. Brasil. É vergonhoso como ali ainda não existe um corredor de ônibus, sendo que as vias e canteiros centrais já são bastante apropriados para tal. Pior, não há sequer uma linha operando que faça todo o percurso, atualmente entupido em até 5 vias de carro.

      • Victor

        Há 100 anos, me corrigindo!

    • Fabinho

      Metrô é bom, mas é um plano pra mais 50 anos, porque é muito caro, trabalhoso, dependente de desapropriações… Não há tempo, nem recursos!
      É preciso DIMINUIR O ESPAÇO DO AUTOMÓVEL e colocar transporte coletivo nas ruas. Não há outro jeito. É preciso que todos entendam essa realidade.

    • Vc está falando besteira. O prefeito de NY veio até SP num evento sobre transporte público nas grandes cidades e afirmou que faltam ônibus por lá. Sua cidade pensa em copiar o modelo de Cleveland. Outra coisa: NY, Paris, Londres, Amsterdã investiram em linhas férreas no século 19 e transformaram elas no seu principal meio de transporte, inclusive com uso de bondes. SP inicialmente copiou o modelo, mas depois dos anos 40 passou a investir no modelo norte-americano em que se enaltecia os carros como liberdade.

    • Guilherme

      Moro em Londres e esta é a minha ordem (e a de muitos amigos) para deslocamentos:

      1. bicicleta para deslocamentos curtos (até 30min)
      2. ônibus – quando está chovendo-muito frio/ estou cansado-preguiça
      3. trens e metro
      4. carro e moto? tinha dos dois quando morava em SP. agora não mais, e isso não tem preço…

      Os ônibus aqui tem qualidade, avisam o próximo ponto, respeitam as bikes, não balançam igual porco e galinha indo pro abate. Só a galera que é porca e joga lixo no chão dos ônibus (e metro)

    • César

      Tomas, não existe solução sem integração entre os modos de transporte. Metrô tem sua eficiência para distãncias maiores, mas sempre conjugado com ônibus, bicicleta, e especialmente andar a pé. Quando vc desqualifica ônibus, deveria lembrar que ônibus no Brasil é um veículo adaptado em chassis de caminhão, o oposto do que ocorre em cidades outras. Além disso, com o ônibus eu tenho maior capilaridade na cidade, enquanto o metrô só pára a cada 1000m e olhe lá… Eu não posso ter uma estação de metrô a cada esquina, pelas próprias caracteristicas do modal. Mas eu posso ter um ponto de ônibus bem perto de casa. Ônibus não é andar pra trás, ônibus confortável é qualidade também.

  • Maurício

    São Paulo é um trampolim pro neguinho chegar no governo do Estado e na presidência da república. Não é cidade pra governar. O que mata SP é o dinheiro…

  • Tarcisio

    Concordo com a matéria, uma coisa que resolveria seria o não financiamento de carros usados e um tipo de taxa para circulação de carros nos locais mais restritos para ônibus. As políticas publica são interesseiras e corruptas, elas tem mudar, carro da muito dinheiro em impostos, multas, entre outras coisas. Nossa cidade se tornou individualista, violenta e desumana morre mais gente no transito que em guerras. Precisamos mudar para uma sociedade mais humana nossa cidade esta praticamente inviável, econômica e socialmente.

    • Luiz Carlos

      Tarcisio.
      vc fala em sociedade mais humana e sugere como solução tirar os pobres dos carros? Sim, pois os ricos continuariam comprando carros, à vista ou financiados, e circulando. Tem é que criar corredores para ônibus e isso sim tiraria o incentivo para o uso de carro, para rico ou pobre. Moro no Rio de Janeiro, onde a situação também caminha para o caos, tenho carro, mas não vou ao centro de carro há mais de 10 anos. Detesto as faixas exclusivas para ônibus, mas e daí? azar o meu!

  • Renato Mattar

    O texto é, sim, muito bom!
    Perguntaria ao entrevistado se a implantação desses corredores é tão mais barata do que o VLT? Será que grandes corredores, como a Faria Lima, não funcionariam melhor se tivesse uma linha única de VLT que percorresse praticamente toda a extensão dela, ao invés de termos as mais de 2 dezenas de linhas de ônibus que a cortam?
    Enfim, eu ainda não entendo como uma cidade da magnitude de São Paulo não tem, em 2012, uma linha sequer de VLT!

  • André Micheloto

    Tem um outro ponto que (quase) ninguém comenta.
    Estou desde o final do ano passado me utilizando de transporte coletivo em S. Paulo. Até então, usava carro.
    Os ônibus utilizados no Brasil são verdadeiros lixos. Sinceramente, não sei quais condições de tráfego me fariam deixar meu carro em casa pra andar nessas porcarias, mesmo que novas.
    Só pra constar, sou engenheiro e trabalhei na empresa líder de mercado em veículos comerciais no país. O projeto do ônibus urbano mais vendido no Brasil tem mais de 50 anos e é oriundo do chassi de um caminhão. Isso mesmo, pessoas são transportadas em veículos de décadas atrás projetados para transporte de carga. Pra que se tenha uma idéia, chassis dessa natureza (motores dentro do compartimento de passageiros e suspensão não-pneumáticas) são simplesmente proibidos em todo o resto do mundo a que esta empresa atua, menos no Brasil e na África do Sul.
    Morei quase dois anos na Europa. Lá, as pessoas não deixam seus carros em casa e se utilizam de transporte coletivo simplesmente levando em consideração o tráfego e o tempo de viagem. O fazem também porque os ônibus, muitas vezes velhos, mas conservados, dão o mínimo de condição pra uma viagem menos “insalubre”.
    Resumindo, ônibus no Brasil ainda é feito “pra carregar pobre”, no mais preconceituoso sentido da expressão.

  • Renata

    O dia que ‘fecharem a porta de SP para migrantes e imigrantes’ a solução comecaria tomar forma. Nunca vai haver solução se não parar de chegar gente aqui a cada segundo. É como a demanda por creches que a prefeitura tem que suprir. O dia em que se conseguir supreir todas as vagas, a situação já vai exigir muitas mil outras vagas porque a população de baixa renda faz filhos indiscriminadamente. O bolsa família melhorou a situação das pessoas , mas não lhes deu educação e discernimento.

    • Luiz Carlos

      Renata.
      Vc tem a cabeça raspada?

      • Thiago

        rsrsrs

  • Leopoldo de Lima

    Malha metro-ferro-viária, bolsões de estacionamentos periféricos. Mudança de nicho de mercado das empresas automobilísticas para exploração do transporte coletivo. Mudança cultural – carro é não te dá status de sucesso.

    Vamos pensar. Dos políticos que participaram desse debate, qual deles tem menos de 2 automóveis e quais deles usam diariamente o transporte coletivo?

    Governar sem dar exemplo é fácil.

  • sergio mog

    muito lúcida as colocações de figueira. não adianta ser PT, PMDB ou PSDB: o problema é sempre o mesmo, ou seja, o privilégio do transporte individual em detrimento do transporte público.
    claro que a maioria prefere andar de carro (principalmente com a mídia enfatizando isso), mas a questão é que é inviável.
    em horário de pico tem que duplicar a faixa exclusiva com a utilização da faixa ao lado. aío motorista do carro vai pesar e ver se vale a pena utilizar o carro ou não.
    há também a solução dos 3km: transportes integrados onibus-taxi (nos últimos 3km perto do destino) com uso maciço deste ultimo e investimentos e subsidios na tarifa do taxi para que sta se aproxime da tarifa do carro particular (R$ 0,50/km rodado x R$ 1,50/km rodado para o taxi, aproximadamente).

  • HELGA HOFFMANN

    Tem toda razão o presidente da ABRASPE. Muito boa a entrevista.

  • bernardo

    Eu gostei da entrevista, deu uma visão diferente da proposta de faixa exclusiva de onibus. Porem eu sempre critiquei essas faixas aqui em belo horizonte porque não estão adequadas. Não são preparadas para o pedestre e usuario de onibus. No horario de pico a velocidade é baixa pq usa apenas uma faixa. Os pontos de onibus são mal estruturados, vc não tem visão. é muito onibus em pouco espaço. O transporte publico só anda cheio e não é pensado para quem usa, está ultrapassado. Agora imagina se tirar uma parte de quem anda de carro para usar o transporte publico, já está ruim sem eles.

  • Gisela

    Até que enfim alguém fala alguma coisa inteligente.
    Lembro que lá nos anos 80, existia um planejamento diferente das linhas de ônibus dos corredores, que era fazer polos de transporte. A idéia básica era ter polos de transbordo em alguns pontos estratégicos dos corredores. Os ônibus, biarticulados, circulariam entre eles sem paradas e haveria linhas que interligariam as regiões circunvizinhas a estes polos.
    Era o cenário ideal. Mas a pressão das empresas de ônibus impediu sua execução como idealizado e o resultado foi esse remendo de hoje.
    O Horácio Figueira retoma essa idéia, que só deveria ter sido aprofundada e não abandonada.

  • Acton Lobo

    O ideal moderno está afundado.

  • Dennis

    Otima entrevista do engenheiro Horacio Augusto! como alguém comentou por aqui, “quero ver um candidato ter a coragem de falar isso”.
    Sinto-me revoltado com a recente diminuição da taxas para financiamento de veículos novos, isenção de IPI e demais incentivos para as pessoas comprarem mais automóveis, congestionarem cada vez mais as grandes cidades e se endividarem até o pescoço… lógico que existe a desculpa do crescimento econômico, sem falar do lobby da indústria automobilística. Mas a qual preço?

  • Markut

    Com essa miopia com que o Serra se manifesta, estamos todos fritos aquí, em São Paulo, se depender da “vontade política” de quem enxerga o problema dessa forma lamentavel.
    De fato, para quem terá heliponto à disposição na sede do governo, o problema não existe.

  • Eduardo Merheje

    A dirigibilidade dos ônibus, vem questionando este modal, em risco dobrado pela diferença de peso dos veículos e irritabilidade dos motoristas, provocados por congestionamentos, com graves acidentes.
    As falhas recorrentes no sistema de transportes sobre trilhos, transtornos e atrasos, ocorrem pela falta de opção de escape, com mobilidade circular no quadrado interno nervoso da cidade, Avenidas marginais Tietê, Pinheiros , dos Bandeirantes, e Ricardo Jafet.
    Tenho preferência por esta opção:
    Na superfície, modernos bondes com ciclovias em paralelo.
    Na superfície elevada, monotrilhos circulares, no histórico da Área Central, e mais quatro nas Regiões Nordeste, Noroeste, Sudeste, e Sudoeste.
    No subterrâneo, monotrilhos circulares, mas, executados somente no espigão que divide a cidade do Pico do Jaraguá a Diadema, ou elevações acima do nível projetado.
    Boas cidades, no atual Estado da Arte, não planejam corredores de ônibus como solução de transporte coletivo.

  • Ivan

    O sonho do automóvel ainda não acabou em São Paulo! Esta cidade é a sexta mais populosa do mundo, atrás somente de Xangai (China), Mumbai (Índia), Karashi (Paquistão), Deli (Índia), e Stambul (Turquia). Então, para isso, é necessário inibir o seu crescimento! É uma atitude anti-econômica? Talvez. Como isso é possível? Lembramos que no início da década de 80 uma proposta de transferir a capital do estado para o interior foi ridicularizada pelos políticos de oposição e pela mídia (talvez, nem mesmo a maioria que apoiava aquele governo abraçou a causa). Entenda que esta solução vai retirar temporariamente a cidade do sufoco, certamente deixará muitos urbanistas contrariados, por trata-se de uma ruralização, mas certamente uma nova capital planejada e sustentável poderia ser uma boa saída, e se estivesse saído do papel naquela época não chegaríamos a este caos. Detalhes de construção poderiam ser financiados com isenção de impostos e incentivos fiscais. Vamos tomar como exemplo a bela cidade do Rio de Janeiro, que com todos os seus problemas, estaria hoje, menos populosa que São Paulo se ainda fosse capital do país? Com certeza, não! Pense nisto.

    • César

      Ivan, São Paulo é a capital econômica. Independente de se transferir os orgãos políticos e administrativos para outra cidade, e deixar de ser a capital do Estado, São Paulo ainda se manterá como principal espaço econômico. Outra coisa: uma nova capital de forma alguma significaria uma “ruralização”, como vc coloca. Uma nova cidade, nessas condições, é “urbano”. Não haveria uma confusão sua entre “interior” e “rural”?

  • Rodrigo

    Mas aí o mesmo povo que só pensa em seus carros vão eleger o Serra. E tudo vai continuar a mesma coisa…

    tsc tsc tsc tsc

    O Serra não vai investir em transporte público porque a mente dele é tão pequena quanto a de um carro. Acha que só por que um ônibus é maior ele deve trazer mais trânsito para a cidade.

    Sem na falta de um corredor de duas faixas na zona leste. Já passou da hora dos corredores de ônibus terem duas faixas.

    Se a prefeitura investir corretamente, deve implantar faixa de ônibus dupla e ciclovia nas principais vias de São Paulo. Boa parte das avenidas teriam só uma faixa para carros, mas é essa a idéia. Não odeio carros, pois tenho um. Mas se isso não for feito, ficará impossível (mais do que já está) andar em São Paulo.

  • claudio

    Ah tá, quer dizer que é o automóvel o culpado pelo engarrafamento! E não o caminhão vazio que passeia pela cidade pois o diesel é mais barato? Não são as carroças tracionadas por cavalos que andando a 10 km/h que causam o congestionamento? Não são os papeleiros com suas carrocinhas que causam engarrafamento?

    Basta um desses numa pista pra criar um congrestionamento de quilometros, mas não, é o maligno automovel que o mal de tudo, o automovel que é vendido sem nenhuma dificuldade que vai levar impostos pra cidade (ISS, ICMS, IVV, IPVA etc).

    Em “porto alegre” criaram o famigerado corredor de onibus, tem avenida com 3 pistas, a central é dos onibus, passa 60% do dia ociosa, as 2 outras pistas precisam compartilhas entre caminhões, carroças, outras linhas de onibus e os automoveis, e claro, os automoveis é que causam congestionamento numa avenida que tem corredor de onibus e mesmo assim tem onibus que não trafegam no corredor.

    Engenheiro de tráfego tem um nome ponposo, mas pelo visto vivem no mundo da lua.

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