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Comissão da Verdade municipal é lançada com nome de Vladimir Herzog

Trabalhos vão auxiliar as comissões estadual e federal nas investigações dos crimes cometidos na ditadura

Por Mario Henrique de Oliveira

Em uma solenidade realizada na Câmara Municipal de São Paulo na noite desta segunda-feira, 11/06, foi lançada a Comissão Municipal da Verdade, que levará o nome de Vladmir Herzog, jornalista morto pela ditadura militar em 1975. A cerimônia contou com as presenças de Ivo Herzog, filho de Vlado, e Clarice, sua viúva, que se mostrou bastante emocionada durante a exibição de um breve curta metragem sobre seu marido.

A viúva de Vlado ao lado da escultura que ficará na Praça da Divina Providência e que passará a levar o nome de Vladmir Herzog (Foto: Mario Henrique de Oliveira)

Além dos familiares, estiveram presentes os vereadores Ítalo Cardoso (PT), que será o presidente da Comissão, Eliseu Gabriel (PSB), que será o relator, Jamil Murad (PC do B) e Juliana Cardoso (PT). A mesa também teve a presença do presidente da Comissão da Verdade Estadual, o deputado Adriano Diogo (PT), e de Ivan Seixas, ex-preso político e representante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos da Ditadura.

De acordo com Ítalo Cardoso, as primeiras tarefas da comissão levarão em conta uma antiga CPI de 1990, quando uma vala comum com diversos corpos foi encontrada em Perus. “Nós temos todo um conjunto de informações coletadas ao longo dos anos. Tem o relatório da CPI de 90, tem a subcomissão criada aqui para acompanhar o processo de abertura dos arquivos da ditadura. Vamos pegar tudo o que temos agora, mandar para as comissões estadual e federal, já pedindo providências”, disse o vereador.

Ivan Seixas declarou a importância da instauração de uma comissão municipal após a estadual e nacional. “Em grande medida a repressão aconteceu aqui em São Paulo. Muito mais da metade do que tem para ser apurado sobre a época está aqui, a Operação Bandeirante começou aqui. Vai ser muito importante a colaboração dos trabalhos entre estado e município”, afirmou.

“A Comissão tem uma importância muito grande para investigar todos os aspectos dos crimes. Podemos dar apoio político, apoio logístico às comissões estadual e federal. É uma questão que vai além do país e do Estado, vai para as cidades também”, completou Eliseu Gabriel.

O filho de Vlado discursou sobre a importância da população, em geral, tomar conhecimento dos crimes que eram cometidos na época da ditadura. “Uma recente pesquisa feita pelo Centro de Estudos da Violência da USP revelou que 47% da população acha válida a tortura como meio para se obter uma informação. Isso só pode ser explicado porque eles não sabem o que é a tortura e o que ela significou”, destacou.

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