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Entidades de direitos civis cobram apuração de assassinato de angolana em SP

Angolana Zulmira de Souza Borges foi morta a tiros em um bar quando comemorava aniversário com amigos

Por Mario Henrique de Oliveira

Mais de 30 entidades de direitos civis e de africanos estão se mobilizando para cobrar a devida apuração do assassinato da jovem angolana Zulmira de Souza Borges. Ela foi morta a tiros em um bar na região central de São Paulo enquanto comemorava um aniversário com amigos. Mais quatro pessoas também ficaram feridas. Zulmira fazia mestrado no Brasil.

De acordo com o CDHIC, africanos tem sido alvos constantes de violência (Foto: Flickr T U R K A I R O)

“O crime nos deixou perplexos não só pelo fator racial, mas porque vem se repetindo. Zulmira não pode ser tratada como caso único. O estrangeiro é perseguido no Brasil e o problema se agrava quando são negros. Queremos a apuração do caso e uma reparação para as vitimas”, disse o advogado do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante, o CDHIC, Cleyton Wenceslau Borges.

Antes do assassinato teria havido uma discussão entre um grupo de brasileiros e o de angolanos. Os brasileiros teriam saído do local em um Golf Prata, retornado com uma arma e atirado contra o grupo. Para Borges, o crime mostra que o Brasil não está preparado para todas as questões migratórias.

“Nosso estatuto do estrangeiro é de 1980, da época da ditadura. Ele é punitivo e restritivo e quer que o imigrante seja vigiado e controlado. O Brasil é um dos últimos países a ver isso, aqui o estrangeiro ainda não pode, por exemplo, votar ou se sindicalizar. É preciso uma revisão constitucional”, argumenta.

Borges adiantou que já está sendo preparada uma manifestação pública, ainda sem data prevista para acontecer. Além disso, o CDHIC e as demais entidades estão elaborando um documento cobrando o Estado por explicações. “Apenas com a pressão pública é que conseguiremos resultados”, desabafou.

Na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado Adriano Diogo (PT) tenta na Comissão de Direitos Humanos marcar uma audiência pública sobre o tema. “Os estudantes angolanos estão indignados e assustados com o caso”, disse ele.

O parlamentar também informou que entrará com pedidos junto à Secretaria de Segurança Pública e ao delegado-geral de Polícia para que a investigação do caso tenha andamento, pois de acordo com ele, sequer foram requisitadas fitas de segurança de prédios perto do bar e nem ouvidas as testemunhas do crime.

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