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Policiais da Rota são presos suspeitos de execução

Testemunha telefonou para o 190 e relatou, de dentro de casa, a ação em tempo real

Da Redação

Rota matou 91 suspeitos em 2011 (Foto: www.policiamilitar.sp.gov.br)

Três policiais da Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar) foram presos acusados de executarem um homem nas proximidades da Rodovia Ayrton Senna. Na noite da última segunda-feira, 28, a Rota descobriu uma suposta reunião de criminosos que integram o PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa que age a partir dos presídios. De acordo com a denúncia anônima, supostamente recebida através do telefone do quartel, integrantes do PCC se reuniriam em um estacionamento na Penha para planejar o resgate de um traficante preso.

Segundo os policiais que participaram da operação, quando as 6 viaturas da Rota chegaram ao local foram recebidas com tiros. Cinco suspeitos conseguiram fugir de carro, cinco morreram baleados e duas mulheres e um homem foram presos. Outro homem foi detido na ação e colocado na viatura dos três policiais presos, e, segundo relato de uma testemunha, foi agredido e executado. Na ação da Rota nenhum policial ou viatura foram atingidos por tiros. Foram apreendidos na ocorrência três carros, quatro coletes à prova de balas, sete tijolos de maconha seis de cocaína, R$ 3 mil em dinheiro e oito armas.

De acordo com o corregedor da PM, coronel Rui Conegundes Sousa, a testemunha telefonou para o 190, número do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), e relatou, de dentro de casa, a ação dos policiais da Rota em tempo real. De acordo com ela, ocorreram algumas agressões e depois teria ouvido disparos de armas de fogo. Ainda segundo a testemunha, os policiais teriam levado o corpo de volta para o local onde ocorreu a troca de tiros, e, desta forma, contabilizado a morte como a sexta no local do tiroteio. Além da testemunha, a corregedoria tem como prova as imagens da viatura trafegando e parada no local relatado da execução. Segundo a promotora Luciana Frugiuele, do Grupo de Controle Externo de Atividade Policial do Ministério Público, que acompanhou o depoimento dos policiais, todos negaram o crime. “Eles negaram que tenham executado o rapaz. Eles admitiram que passaram pela rodovia, e que pararam o carro porque um dos policiais estava com câimbra.”

O diretor do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), Jorge Carlos Carrasco, afirmou que toda a ação da Rota na ocorrência “foi legítima”. “Houve perseguição e troca de tiros em diversos lugares e não apenas no estacionamento do bar. E houve uma reação com a chegada da polícia”, afirmou. Porém, disse ter indícios que um dos suspeitos teria sido executado. Já o comandante da Rota, coronel Salvador Madia, falou em “desvio de conduta” por parte de alguns dos seus comandados. “Há indícios que estão sendo investigados pelo DHPP. O inquérito está sob sigilo”, afirmou.

2011 teve o maior número de mortes por policiais da Rota em 5 anos

Um levantamento da Ouvidoria das polícias aponta que em 2011 a Rota matou 91 suspeitos durante ocorrências. Desde 2006, quando ocorreram os ataques do crime organizado às forças de segurança, a unidade da Polícia Militar não matava tanto. Naquele ano, policiais da Rota envolveram-se em 97 mortes de suspeitos.

A maioria das mortes por policiais da Rota em 2011 foi registrada como resistência seguida de morte (81), o chamado “ato de resistência”. Apenas 9 das 91 mortes no ano foram classificadas como homicídios dolosos.

O crescente número de mortes coincide com a nomeação do tenente-coronel Adriano Lopes Telhada para o comando da Rota. Telhada esteve à frente da unidade entre maio de 2009 a  novembro de 2011, quando as mortes pularam de 61 para 81. Telhada, hoje aposentado, era conhecido por ser linha dura e por declarações fortes, como quando disse que preferia “antes a mãe do vagabundo chorando do que a minha”. Quem comanda a Rota hoje é o tenente-coronel Salvador Modesto Madia, réu no episódio conhecido como massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos na invasão a casa de detenção.

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