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V de Virada cita filho de Afif em suposto esquema da Virada Cultural

Confira a segunda parte da entrevista com V de Virada, que dá detalhes sobre um suposto esquema de favorecimento de empresas na Virada Cultural

Por Redação

Abaixo você confere a segunda parte da entrevista com V de Virada (confira a primeira parte aqui), que dá detalhes sobre um suposto esquema de favorecimento de empresas na Virada Cultural de São Paulo. Nesta parte da entrevista, concedida a Renato Rovai, ele fala que José Mauro Gnaspini, coordenador da Virada Cultural paulista, seria uma espécie de sócio oculto da Entre, e sua atuação iria além da Virada, alcançando eventos como o aniversário da cidade de São Paulo.

V de Virada também cita Gui Afif, filho do vice-governador de São Paulo, Gulherme Afif Domingos. Segundo V, Gui Afif usaria o nome do pai para facilitar negociações feitas em conjunto com a Entre em prefeituras do interior de São Paulo e obter patrocínios para eventos produzidos por sua empresa. Por meio da assessoria do vice-governador, o filho respondeu à reportagem dizendo que: “A Entre Produções foi contratada pelo Guaimbé Bureau de Cultura para fornecer infra-estrutura para os eventos. O Sr. José Mauro Gnaspini é diretor artístico do projeto, devidamente autorizado pela prefeitura de São Paulo para realizar tal atividade. O Natal Iluminado, bem como o Guaimbé Bureau de Cultura não têm quaisquer relações de negócio com a Virada Cultural”. Veja a resposta na íntegra aqui.

A Entre também enviou um comunicado, ao ter conhecimento da íntegra da entrevista. “A Entre esclarece que as denúncias acerca de participação privilegiada na Virada Cultural são absolutamente improcedentes e passíveis de processo de calúnia. Atuamos no mercado de eventos há mais de dez anos e somos reconhecidos pela excelência de nossos serviços e idoneidade”. Confira a resposta na íntegra aqui. Veja também o depoimento de Roberta Pereira, dona da Ideia Musical, citada na primeira parte da entrevista de V de Virada.

Procurado por meio de contato na secretaria de Cultura de São Paulo, José Mauro Gaspagnin não se manifestou até o fechamento desta matéria. A reportagem tenta falar com o coordenador da Virada Cultural de São Paulo desde ontem. O SPressoSP também não conseguiu contato com a escola de samba Tom Maior e a Telefônica não respondeu até o fim do dia.

Veja a segunda parte da entrevista com V de Virada.

Além do Zé Mauro, além da Virada, esse esquema acontece em outros projetos da Prefeitura ligados à área da cultura? Acontece em outras prefeituras do estado de São Paulo ou fora de São Paulo?

Que eu tenha conhecimento, o Zé Mauro e o Lalau, essa sociedade dos dois, fazem a Virada Cultural paulistana, o aniversário da cidade de São Paulo que a Entre tem feito quase todo ano ou todo ano e outros eventos menores da secretaria. Tudo que é do Zé Mauro está para a Entre fazer, é “quebrada cultural”, abertura, inauguração, tudo o que o Zé Mauro pode ele encaminha para o Lalau fazer.

Você está me dizendo que de alguma forma o Zé Mauro é um sócio oculto desse Ricardo Lalau?

Exatamente. Inclusive o Ricardo Lalau apresenta o Zé Mauro ou comenta quando ele fala do Zé Mauro… ele fala que é o sócio dele no Virada. Ele fala isso, ele apresenta o cara assim… esse aí é meu sócio no Virada. Então, até onde eu sei, eles dividem o lucro meio a meio. É uma sociedade que eles formaram para ganhar dinheiro com a realização da Virada. Além desses esquemas que o Zé Mauro combina, essa sociedade começa tentar se expandir para outros lados. Eu não sei exatamente tudo o que acontece, mas de uns dois, três anos para cá, outra figura que é muito frequentadora da Entre e é sempre acompanhada do Zé Mauro é o Gui Afif.

Gui Afif?

Filho do Afif Domingos

Vice-Governador de São Paulo pelo PSD?

Exatamente. Eu não tenho certeza de qual a participação do Afif na Virada. Deve ter alguma participação pelo tanto que eles conversam, principalmente às vésperas da Virada acontecer. Mas o que eu tenho certeza é que fora da Virada esses três aí, Zé Mauro, Lalau e o Gui Afif, têm outro esquema que envolve uma “pá” de prefeitura do interior.

Então deixa eu entender melhor, o Gui Afif é dono da Entre ou de outra empresa?

Não, o Gui Afif é dono de uma empresa que chama Guaimbé. Essa empresa contrata o Lalau e a Entre Produções e se associa para fazer outras coisas. E nas cidades do interior, onde ela vai atrás de patrocínio ou de realizar algum evento ou fazer uma festa na cidade. E o Zé Mauro vai junto com o Gui Afif e o Gui Afif apresenta o Zé Mauro como sendo o responsável pela Virada em São Paulo e como funcionário dele ao mesmo tempo. Então, quando ele vai lá e pede uma audiência com um prefeito do interior, vai ele, o Gui Afif, o Zé Mauro. E o Afif diz: “ó esse aqui é meu funcionário”. E com essa história eles amarram com os prefeitos e às vezes os prefeitos têm até boa intenção de fazer um evento bom pra cidade… E às vezes vai pelo esquema, o prefeito já chama sabendo que vai ter uma grana também. Um evento que eu sei que eles fazem é o evento que chama Natal Iluminado. Já fizeram por dois ou três anos…

Com a Guaimbé?

A empresa chama Guaimbé.

E quem faz é a Guaimbé ou a Entre esse natal iluminado?

Não, a Guaimbé ajeita a parada com a prefeitura e vende o patrocínio para empresa grande. E quem faz lá, vai realizar o evento, produzir o evento, montar as coisas é a Entre. A Guaimbé não tem produtor, não tem caminhão, quem tem é a Entre. Então eles acertam lá, vai o Gui Afif com o Zé Mauro e fecham o evento. Depois, vai o Lalau para fazer o evento, com a estrutura da Entre. Aí, além do dinheiro da prefeitura tem dinheiro de empresa grande. Mas empresa grande mesmo. Eu sei que, nos eventos que eu pude ir, o cara da Telefônica, que é um patrocinador desse evento, por exemplo, que é patrocinador privado, o cara que vai lá no evento é o diretor de Relação Governamental.

Você sabe o nome dessa pessoa?

Não sei o nome do cara, mas não é o cara de marketing que vai, entendeu? Quando aprova o projeto, ele não manda pro marketing da empresa. Ele manda para quem responde pela relação governamental. E o que dá a entender é que ele só é atendido e a empresa só patrocina, porque ele pede a reunião como filho do vice-governador. Se não fosse isso não teria o patrocínio, entendeu? Então ele usa o cargo do pai para se aproximar dessas empresas, dessas pessoas… E essa amizade aí, do Zé Mauro e do Lalau com o Gui Afif, faz com que, de uma certa forma, o Lalau e o Zé Mauro se sintam de uma certa forma seguros, né? Porque tem costa quente. O Lalau, principalmente, vive falando, que qualquer problema ele grita pro Afif. Então eu não sei se essa cobertura, essa proteção, vamos dizer assim, é cobrada. Se o Gui Afif cobra ou ganha alguma participação em outros esquemas incluindo Virada para dar essa cobertura que os caras falam que têm.

E como é que são feitos os repasses dessa empresa Entre, para o Zé Mauro ou para outros sócios ocultos?

Tem todo tipo de acerto nesse… Pra fazer isso os caras usam muito dinheiro vivo. Aí o cara paga o artista, o artista dá a nota e devolve em dinheiro vivo para a Entre. Então, a Entre nem declara isso… divide a grana e paga os caras com esse dinheiro vivo. Aliás, eles usam muito dinheiro vivo. Para pagar artista, por exemplo. Artista não vai esperar o dinheiro da Prefeitura. Ele só vai fazer o show dele se ele tiver recebido. Então, a Entre adianta para o artista. É a Entre que paga o artista contratado pela Brunilu, pela LR ou por quem quer que seja. E paga em dinheiro vivo, muitas vezes, inclusive, paga em dólar, ou em euro, comprado de esquema do mercado negro. Eles fazem transferência bancária entre as empresas, então a Brunilu paga a Entre, por exemplo, com cheque de terceiros. Eles têm uma ou outra empresa que é pessoal, que é fulano que paga direto na conta do Zé Mauro ou da mulher do Zé Mauro.

Você sabe o nome da mulher do Zé Mauro?

Eu não sei o nome da mulher dele, mas é o que eles falam. E aí tem outro esquema que eles usam, que é a Escola de Samba Tom Maior. A Entre já deu dinheiro pra Tom Maior, que transformou em dinheiro vivo e repassou pro Zé Mauro. Então, eles usam tudo quanto é tipo de esquema para fazer o repasse entre as empresas. Porque a LR e as outras empresas são fantasmas e recebem da Prefeitura e depois têm que passar pro caixa da Entre. E depois mais uma série de esquemas que eles fazem para fazer o pagamento dos sócios. O Zé Mauro recebe dinheiro todo ano e eles têm uma espécie de conta corrente do Zé Mauro com a Entre.

Você havia me dito, em um dos e-mails, que teria tido um casamento do Zé Mauro que teria sido financiado pela Entre, é isso mesmo?

Eles fazem isso direto. Um cara vai casar, o Zé Mauro casou, e quem vai fazer a festa é a Entre. E aí depois as despesas abatem no esquema deles. Quando o Zé Mauro casou foi a Entre que fez tudo, foram montar lá o palco e depois o Lalau desconta no que o Zé tem para receber. Às vezes fazem para agradar alguém, o Zé Mauro pede para fazer um ou outro evento de aniversário ou casamento e depois desconta do que ele tem para receber. É uma conta tipo de banco mesmo, que tem saldo e tudo mais. Só não tem, acho, que cartão e talão de cheque, o resto tem.

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