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Moradores expulsos do Pinheirinho saem de igreja e vão para alojamento

Moradores percorreram os 4 quilômetros até o novo abrigo a pé. Advogados do movimento vão lutar pela desapropriação do terreno

Por Igor Carvalho, de São José dos Campos

Famílias se prepararam para deixar a igreja (Foto: Igor Carvalho)

Passava do meio-dia quando pouco mais de 500 pessoas desalojadas do Pinheirinho começaram a caminhar rumo ao novo alojamento. Ao deixar para trás a igreja, os moradores sofrem uma importante derrota política, já que ali se concentrava o principal foco de articulação do movimento dos moradores. Dois fatores contribuíram para que as famílias se deslocassem dali. O primeiro foi a posição do padre Ronildo de Rosa, que sofreu pressão da prefeitura para pedir a igreja. O segundo partiu das lideranças do movimento, que compreenderam que sem um apoio logístico e de infraestrutura do poder público, não teriam como manter as famílias no templo.

O prefeito Eduardo Cury (PSDB) não enviou nenhum tipo de transporte, então todos partiram em marcha até o alojamento, um percurso de aproximadamente 4 quilômetros, carregando filhos, roupas, animais, sacolas, colchões e móveis. Por volta das 14h, todos chegaram e almoçaram, antes de começar o cadastramento e receberem as pulseiras de identificação, que os mantém no alojamento.

Direitos Humanos e próximos passos

Durante a manhã, o representante do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (Condep), Renato Simões, esteve na igreja e comunicou que o órgão abriu um processo “para apurar as denúncias de abuso contra os moradores durante a ação policial”. Na próxima segunda (30), uma comissão de advogados, defensores públicos e representantes de entidades de direitos humanos deve visitar os alojamentos e colher depoimentos, imagens e vídeos que evidenciem as denúncias.  Caso o Condep reconheça o uso excessivo da força, o processo será encaminhado para a Comissão de Direitos Humanos Interamericana, da Organização dos Estados Americanos (OEA), como foi feito no caso da Guerrilha do Araguaia.

Antonio Donizete, advogado vai lutar para que o terreno seja devolvido aos moradores (Foto: Igor Carvalho)

Para o advogado Antonio Donizete Ferreira, que representa o movimento, a questão dos direitos humanos é uma preocupação. “O Estado de Direito nessa região se acabou, aqui vivemos um estado de exceção. Nos abrigos, as pessoas recebem uma pulseira de identificação e de lá não podem sair, são perseguidos pela cidade. Isso é um regime fascista”, aponta. O próximo passo é buscar apoio político e tentar uma desapropriação do terreno. “Este terreno deveria pertencer ao Estado, com alguma vontade política, na esfera federal, estadual ou municipal, seria suficiente para resolver o problema dessa gente. Vamos brigar pelo terreno, achamos um absurdo ver crianças dormindo no chão enquanto ele [Naji Nahas] está em um triplex, dormindo em sua cama king size”, falou o advogado.

Desaparecidos

Marrom, líder do movimento, anunciou que será criada uma comissão entre os moradores para investigar os casos de desaparecidos. Há alguns boatos sobre desaparecimentos, porém, não há uma lista e nem nomes divulgados. A polícia nega qualquer desaparecimento.

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