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Alckmin defende ação policial na Cracolândia

Criticada pela truculência e ausência de tratamento médico, governador de São Paulo diz que PM permanecerá na região por meses

Por Adriana Delorenzo

Mesmo com todas as críticas a operação policial armada para expulsar os usuários de crack da região central de São Paulo, o governador do estado, Geraldo Alckmin, defendeu a ação em entrevista aos repórteres especiais da Folha de S. Paulo Fernando Canzian e Vaguinaldo Marinheiro.

Na entrevista, os repórteres questionaram se a operação não teria sido precipitada, pois o centro de tratamento médico para usuários não está pronto. Após Alckmin defendê-la, a reportagem indaga por que só após cerca de 20 anos de governo do PSDB em São Paulo, a ação acontece às vésperas do lançamento de um programa de combate ao crack do governo federal. Sobre essa “estranha coincidência”, num ano eleitoral, o governador disse que já houve uma ação em 2009 e que a tarefa tem que ser continuada. Alckmin reforçou que a PM ficará na região por meses.

A “Operação Sufoco” foi iniciada no último dia 3 e tem recebido muitas críticas não só pela ausência de tratamento médico, como também pelos atos de violência que teriam sido cometidos contra a população em situação de rua, dependente de drogas. O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar a ação, comanda pelo governo e a prefeitura.

Em entrevista coletiva, os promotores responsáveis pelo inquérito ressaltaram que a operação foi “precipitada e desarticulada”. “O dependente químico é uma questão de assistência social e saúde”, afirmou o promotor Eduardo Valério. Muitos usuários procuram tratamento, mas, ao contrário, encontram truculência.

O plano do governo federal foi anunciado em dezembro do ano passado e prevê o enfrentamento do problema, que atinge diversas cidades brasileiras, com ênfase no tratamento especializado e direcionado, com a participação das esferas municipais, estaduais e federal, em ações conjuntas, que incluem ampliação de leitos e unidades de acolhimento e uma abordagem multidisciplinar. As medidas estão previstas para começar em março.

Veja a entrevista

 

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