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Defensoria e Instituto Práxis denunciam agressões na Cracolândia

Paulo Cesar Malvezzi Filho, presidente do Instituto Práxis de Direitos Humanos, conta que a ação policial tem sido violenta e que essa realidade sempre fez parte da rotina das pessoas em situação de rua naquele local

Por Sâmia Gabriela Teixeira

A Operação Nova Luz tem sido discutida na imprensa e questionada pela opinião pública nas rodas de conversa e, sobretudo, nas redes sociais, onde são divulgadas fotos e relatos de agressões e truculência policial. A última comentada nas redes, registrada pelo fotógrafo Nilton Fukuda, para a Agência Estado, mostra o ferimento nos lábios de uma jovem de 17 anos, que teria sido obrigada por policiais a abrir a boca e receber um disparo de bala de borracha.

Segundo o relato da garota, tiro de bala de borracha foi proposital (Imagem: reprodução)

O presidente do IPDH (Instituto Práxis de Direitos Humanos), Paulo Cesar Malvezzi Filho, conta que a ação tem sido mesmo violenta e que essa realidade sempre fez parte da rotina das pessoas em situação de rua naquele local. Para ele, “a situação ganha mais destaque agora, a partir da operação policial, mas as agressões sempre aconteceram”. Em conversa com o SPressoSP, ele descreve a situação de repressão e como o instituto tem atuado para evitar abordagens policiais violentas.

SPressoSP – Está circulando na internet e especialmente nas redes sociais a foto de uma garota que teve um ferimento na boca por disparo de bala de borracha. Quando vocês receberam a denúncia e quando o fato ocorreu?

Paulo Cesar Malvezzi Filho – Soubemos do caso ontem. O fato aconteceu no fim de semana e foi denunciado para a Defensoria Pública, que tem base de atendimento na região com a coordenação do núcleo feita pelo defensor Carlos Weis. Temos feito um trabalho de acompanhamento dos defensores para registrar os casos de agressão, mas foto da garota é a única que temos. As pessoas na região ficam muito nervosas com a presença de câmeras e também da imprensa de modo geral.

SSP – Vocês registraram outras denúncias além dessa?

Malvezzi – Soubemos de atropelamentos, espancamentos e há quem faça denúncia para a Defensoria passando os nomes dos agressores. A verdade é que, só agora, com mais essa denúncia, é que esses acontecimentos têm vindo à tona, mas, segundo os relatos, esse tratamento dado às pessoas em situação de rua acontece no cotidiano. Essa é uma prática rotineira. As autoridades avançam com as viaturas pra cima da população, eles são tocados que nem gado, e muitos deles estão debilitados para fugir, se proteger. Eles passam com os carros por cima das pernas das pessoas e normalmente isso ocorre na madrugada.

SSP – A presença do IPDH tem, de alguma maneira, evitado as agressões?

Malvezzi – Sim, percebemos que quando há uma movimentação da Defensoria e nossa presença eles chegam a ser educados com a população. Eles sabem que estamos lá para denunciar, então, de certa forma, conseguimos coibir a violência pela presença. A Defensoria mantém o posto móvel no local e cumpre bem esse papel também.

SSP – E quais têm sido os procedimentos da defensoria para os casos de denúncias de agressões?

Malvezzi – No caso específico da garota que teve a boca machucada, a defensora Daniela de Albuquerque registrou o boletim de ocorrência e pediu que o caso seja registrado como tortura. Há também os que não querem se identificar. Nesses casos, a Defensoria e o instituto têm recolhido os relatos para produzir um relatório que sirva como enfrentamento contra a postura da polícia.

SSP – Além do acompanhamento do trabalho da Defensoria e da tomada de depoimentos, como o IPDH tem atuado no local?

Malvezzi – Estamos distribuindo uma cartilha de direitos produzida pela Defensoria que explica que eles podem permanecer no local, com informações que servem como uma mini-educação em Direito. O material é para que saibam os limites da operação policial, para que conheçam os seus direitos. Além disso, temos trabalhado com a divulgação do trabalho da Defensoria e dos relatos e denúncias das agressões na internet e nas redes sociais.

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Comentários

Comentários

  • monica toledo

    Essa droga ja conquistou milhares de viciados, e o estado e o governo estão dormindo, esses viciados assaltam, roubam , matam milhares de pessoas por dia para manter o seu vicio.E quando vao preso ficam 30 dias e saem, porque neste pais nao tem cadeia nem pra bandido qto mais para noia.
    Tem que ter açoes que acabem com traficantes e centros de recuperações obrigatório para viciados, ou vai virar uma calamidade publica.

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