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Alesp recebe mostra fotográfica de crianças desaparecidas

Evento também serve para alertar o não funcionamento do Cadastro Nacional de Crianças desaparecidas, criado em 2009

Por Mario Henrique de Oliveira

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo recebe de hoje, 5 de dezembro, até a sexta-feira, 9, uma mostra com 34 fotografias de crianças desaparecidas na região metropolitana de São Paulo. O evento é uma iniciativa da Fundação Criança e teve o apoio dos deputados Donisete Braga e Hamilton Pereira, além da organização Mães da Sé.

Para Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança, a intenção com o projeto “não é de chocar ninguém, mas apenas mostrar a realidade”. Ele também espera que a mostra chame mais a atenção da sociedade para este problema e mobilize os meios de comunicação, para potencializar as oportunidades de identificação e localização dos desaparecidos.

Outra questão levantada é a do Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas, que foi criado por lei em 17 de dezembro de 2009, mas que até hoje não funciona. De acordo com a Fundação Criança, que mantém um programa chamado Reencontro e um cadastro municipal de desaparecidos, o principal problema é a falta de integração entre os governos federal e estaduais, pois grande parte dos estados ainda não possui um cadastro estadual, e quando os têm, não os deixam acessíveis ao público.

Mostra começa neste segunda (5) e vai até sexta (9)

A falta de delegacias especializadas da Criança e do Adolescente em São Paulo e em vários estados também é outro empecilho para o atendimento adequado às famílias e à investigação dos casos de desaparecimentos.

De acordo com dados da CPI  do desaparecimento de crianças e adolescentes da Câmara dos Deputados (2008/2010), no Brasil há cerca de 40 mil desaparecimentos por ano. Só em São Paulo, esse número chega a nove mil. Cerca de 15% dos desaparecidos nunca mais são encontrados.

A angústia das mães

“Há 15 anos e dez meses procuro pela minha filha, lembrou Ivanise Esperidião da Silva, fundadora da organização Mães da Sé de São Paulo, que reúne mais de 10 mil famílias. “Se tivéssemos enterrado nossos filhos, já teríamos nos acostumado com essa ideia. O que nos mata é a incerteza de saber o que aconteceu com eles.”

Com a ausência dos filhos desaparecidos, afirmou Ivanise, as mães perdem a vontade de viver, a saúde, a autoestima e até a própria identidade. “Não temos nada a comemorar no Dia da Criança, Dia das Mães, Natal…”.

Serviço

Em caso de desaparecimento, é necessário registrar o Boletim de Ocorrência imediatamente, com base na Lei 11.259, de 2005, na delegacia mais próxima ou pelo site www.ssp.sp.gov.br/bo/, tendo uma foto recente da criança em mãos e fornecer à autoridade policial detalhes sobre a vestimenta do desaparecido, lugares que gosta de frequentar e comportamento.

Além disso é importante procurar por entidades como as Mães da Sé e a própria Fundação Criança, com uma foto, para que ela seja devidamente divulgada. A fundação também oferece suporte psicossocial e jurídico às famílias.

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