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Invasão Corinthiana, uma história que virou livro

Após 35 anos da histórica tomada do Maracanã pela torcida paulista, casal de jornalistas lança livro que conta como foi este o fantástico episódio

Por Mario Henrique de Oliveira

Mesmo o mais novo corintiano já ouviu alguma história sobre a invasão alvinegra no Maracanã, ocorrida em 1976. É algo que já entrou para o hall das grandes histórias do futebol. E coube justamente a uma casal, que ainda nem tinha nascido quando do ocorrido, colocar isso tudo no papel. A Invasão Corinthiana, foi escrito por Igor Ojeda e Tatiana Merlino, e terá lançamento na segunda-feira, dia 05/12, na Livraria da Vila, a partir das 18h30.

O Corinthians, naquela ocasião, amargurava um jejum de 22 anos sem conquistar grandes títulos, e sua torcida esta ávida por soltar este grito da garganta. Na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976, cerca de 70 mil torcedores paulista invadiram o Rio de Janeiro para ver o Timão jogar. Dividiram a casa com o Fluminense, e empurraram o Alvinegro, que tinha um time mais limitado que os cariocas, para uma vitória histórica nos pênaltis.

Um dos autores da obra, Igor Ojeda, conta um pouco desta fantástica história.

Lançamento do livro será na segunda (5)

SpressoSP – Como surgiu a ideia de fazer um livro sobre a invasão?

Igor Ojeda – Apesar de eu ser corintiano e ter nascido três anos após a invasão, sempre ouvi falar sobre ela, era algo que me encantava, mas, na verdade, a ideia do livro veio do José Roberto Marinho – que não é o da Globo -, dono da editora LF. Ele é amigo de infância do meu pai e esteve nesse jogo. No ano passado, com todo aquele clima de centenário, veio com a proposta do livro, mas acontece que a ideia surgiu em março e a comemoração dos cem anos era em setembro, então não havia tempo hábil para pesquisa e escrita do livro. Em janeiro deste ano, retomamos o projeto, já que serão completados 35 anos da partida e programamos para lançar o livro na data exata.

SPressoSP – Como foi o processo de elaboração do livro?

Ojeda – A primeira fase foi a de buscar fontes, de várias categorias, mas queríamos principalmente ouvir torcedores que estiveram lá. Apesar do José Roberto ter ido ao jogo, ele foi com a mulher, não com amigos então não conhecia muita gente que também tinha ido. Foi quase um telefone sem-fio. Falamos com o pessoal da Gaviões da Fiel, que indicaram gente. Na verdade, todo corintiano conhece alguém que conhece alguém que esteve nesse jogo. Descobrimos muitas histórias.

A segunda fase foi falar com jogadores, dirigentes e jornalistas que estiveram envolvidos no confronto. Falamos com o Wladimir, jogador com mais partidas pelo Corinthians; com o Russo, que fez o gol no tempo normal; com o Zé Maria, que fez o último gol de pênalti e, claro, com o Tobias, que pegou duas cobranças… Três, se você contar a que o juiz mandou voltar.

Entre os jornalistas, conversamos com o Alberto Helena Junior e o José Roberto Savoia. Falamos também com o presidente do Fluminense na época, Francisco Horta. Só não falamos com o Vicente Mateus porque ele já morreu né?

SPressoSP – Que histórias interessantes vocês descobriram durante a apuração?

Ojeda – Muitas. Primeiro que naquela época não havia esses contratos milionários, o grosso do dinheiro vinha da renda do estádio, então o presidente do Flu soltou uma cota grande para a torcida corintiana. Mas ele não esperava aquela invasão, achava que no máximo iriam ter uns 20 mil corintianos.

De torcedores há as mais diversas histórias, desde a moça que foi grávida assistir o jogo, até os funcionários de uma empresa que foram em comboio, bancados pela própria empresa, passando por um grupo de jovens de Pirituba que, como todo jovem, achavam que podiam tudo e foram sem ter onde ficar. Passaram dois dias acordados e na volta acabaram dando PT (perda total) no carro. Sorte que não aconteceu nada com ninguém.

SPressoSP – Qual a importância que esse jogo tem para o Corinthians e sua torcida?

Ojeda – Não é porque eu sou corintiano, mas essa invasão define o que é a torcida do Corinthians. Isso é uma característica da torcida, que é fiel, não à toa. O time não ganhava nada há 22 anos e havia pelo menos 70 mil corintianos lá, essa é uma conta que nunca vai dar para saber exatamente, mas só em São Paulo foram vendidos 55 mil ingressos, fora os que foram ao Rio sem garantias. Nas arquibancadas, os corinthianos dividiram o Maracanã, mas, pelo relato de quem estava lá, dava para perceber que o espaço destinado ao Corinthians estava muito mais compactado, com gente espremida. Nas cadeiras, três quartos eram corintianos. É algo que está marcado, nunca vai haver igual.

Serviço

O lançamento da obra será na Livraria da Vila, na Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, no dia 5 de dezembro a partir das 18h30. 

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