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"Polícia eficiente é aquela que prende e esclarece, não a que mata"

Para Ariel de Castro Alves, indicação de um dos envolvidos no Massacre do Carandiru para o comando da Rota é “um indício de manutenção e ampliação da política de violência policial”

Por Mário Henrique de Oliveira.

A indicação feita pelo governador Geraldo Alckmin do tenente-coronel Salvador Modesto Madia como novo comandante da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) gerou muita discussão em grupos ligados aos direitos humanos. Isso porque Madia fez parte do grupo de policiais que invadiu o presídio do Carandiru, epísódio que resultou na morte de 111 detentos em 1992. Até hoje, apenas o comandante daquela operação foi julgado, Ubiratan Guimarães, que morreu de maneira ainda não esclarecida em 2006, mas outros 119 nomes também foram denunciados, entre eles, Madia.

Madia: “Não há porque mudar uma doutrina que dá certo há tanto tempo. Vou apenas dar meu toque pessoal” (Vivian Golti/Secretaria de Segurança Pública-SP)

Ariel de Castro Alves, advogado e membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), classifica a indicação de Madia para o cargo como “um indício de manutenção e ampliação da política de violência policial”. Para ele, a escolha demonstra a morosidade do Poder Judiciário, que ainda não julgou os indiciados pelo massacre em 1992. Alves conta que a Rota “ainda atua da mesma maneira que na década de 1980, tem muito resquício de ditadura ali. Eles agem como se estivessem em uma guerra, onde os civis são os inimigos”.

Em seu discurso de posse, Madia disse que irá continuar com a mesma política do antecessor. “Não há porque mudar uma doutrina que dá certo há tanto tempo. Vou apenas dar meu toque pessoal”, disse ele. Matéria publicada pelo jornal Agora mostrou que o número de mortes em ações da Rota sob o comando de Paulo Adriano Telhada, a quem Madia substitui, subiu 63%.

A Rota afirma que o aumento do número de mortos deve-se à maior ação da polícia e destacou crescimento de 150% nas prisões. Em geral, essas mortes são tratadas como “casos de resistência seguida de morte”, classificação que Alves contesta. “Lutamos há um bom tempo para a mudança desse termo porque ele inverte o ônus da prova, gera quase uma licença para matar. O Ministério Público só investiga crimes que estão no Código Penal, e esse termo não consta lá”, aponta. Ele acredita ser necessário haver uma mudança na política da Rota para que se torne de fato efetiva. “Polícia eficiente é aquela que prende e esclarece, não a que mata. A Rota hoje não é isso”, finaliza.

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