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Pelos nós e hubs da periferia

Por Sérgio Amadeu

Começo a escrever aqui sobre a nossa cidade, a cidade que nasci. Nunca me aventurei falar dela em público de modo tão registrado, em posts ou livros. É minha primeira experiência deste tipo. Sobre o que falarei? Quero falar sobre as fronteiras digitais de São Paulo e sobre as perspectivas tecnológicas desta imensa megalópole.

Quero trabalhar uma série de ideias que tenho sobre nossos problemas urbanos que as tecnologias informacionais poderiam ajudar a resolver. Pretendo também denunciar a política de cerceamento e exclusão que é feita pelos códigos arquitetônicos, pelas técnicas urbanas contra os deficientes físicos e favoráveis aos capitais energo-poluidores, à indústria do controle, aos capitalistas do carbono que querem precificar a degradação ambiental para poder continuar degradando. Quero mostrar as áreas de preconceito que descem das redes sociais para os polos de sociabilidade anti-feministas e de horror à diferença e diversidade que começa pelo tratamento desigual dado para as conexões digitais nas periferias.

Trarei para esta coluna uma série de ideias, quase todas, que pretendem alargar as possibilidades de transformar São Paulo em uma capital tecnológica que reúna novos modos de pensar a ciência, uma ciência de bairro, uma articulação do conhecimento tradicional com o potencial dos jovens hackers, que começam a construir laboratórios de garagem e mudar a pobre paisagem tecnológica desta que foi uma metrópole industrial. Mas não aproveita todas as chances da revolução informacional.

Espero dialogar muito sobre as possibilidades de construir praças tecnológicas, tendas de download, ocas de programação, corredores de arte e tecnologia, unidades de metareciclagem para lixo eletrônico, jardins de sustentabilidade e conhecimento, construção de vias de realidade aumentada, hackerspaces, rodas de redes de descanço para ouvir estórias e aprender música, oficinas de websemântica e o pagamento de bolsas para meninas construírem robôs e ensinarem matemática de rua.

Gostaria de ajudar a pensar e a transformar São Paulo em uma cidade lúdica, livre, sustentável, informacional, que acredita na força do conhecimento compartilhado nos espaços, nos contornos e nas suas emanações ciberespaciais.

 

Sérgio Amadeu é professor e pesquisador de redes digitais. Foi um dos idealizadores do projeto telecentros de São Paulo. Coordenou sua implantação em 2001 que começou pela cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo.

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