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Despejo: famílias são expulsas do antigo Hotel Cineasta

A desocupação do prédio na avenida São João aconteceu sem garantia de assistência imediata aos sem teto

Texto e Fotos | Por Sâmia Gabriela Teixeira

Famílias que ocupavam o prédio desde segunda, 7, saíram pacificamente

A reintegração de posse do antigo Hotel Cineasta, um dos dez prédios ocupados durante as ocupações simultâneas realizadas na segunda-feira (7), em São Paulo, ocorreu hoje com uma operação que envolveu polícia militar, guarda civil metropolitana e policiais da tropa de choque. As famílias saíram pacificamente e integrantes do movimento puderam retirar todos os pertences de dentro do prédio.

Parlamentares da oposição ao governo do estado estiveram presentes para uma tentativa de negociação e prometeram defender a causa dos moradores em conversa com a prefeitura, para que as famílias desalojadas recebam assistência de urgência. O deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT) confirmou que haverá reunião amanhã, às 10h, com o secretário municipal de habitação Ricardo Pereira Leite, parlamentares da oposição e lideranças dos movimentos por moradia.

O prédio, que contava com cerca de 300 pessoas na ocupação, no momento da reintegração tinha cerca de 50 pessoas. A coordenadora do UMM (União dos Movimentos de Moradia) Sueli Batista demonstrou preocupação com a ação realizada em horário comercial, e afirma que as assistentes sociais da prefeitura não recolheram nomes das pessoas que não estavam no momento da desocupação. “Todos nós trabalhamos. Neste horário só está aqui quem pode. Nenhuma assistente pegou nome de nossa lista de controle de entrada e saída do prédio. Como poderemos garantir a estas pessoas cadastramento para assistência?”, questionou preocupada.

Cerca de 50 pessoas estavam no prédio, no momento da reintegração

O deputado estadual Simão Pedro (PT), um dos coordenadores da Frente de Habitação Popular e Reforma Urbana, garantiu que a questão da assistência a todos que ocuparam o prédio será pauta na conversa de amanhã, e explicou que os movimentos irão redistribuir as famílias para os outros prédios ocupados. Em discurso, o deputado discutiu a necessidade de atenção às pessoas de baixa renda e destinação mais justa dos programas habitacionais. “O problema de habitação não deve ser somente uma demanda eleitoral. Esse é um problema social e temos de mudar esta situação de inoperância na prefeitura, que só serve para aumentar a especulação imobiliária”.

Para o dirigente nacional da CMP (Central de Movimentos Populares) Luiz Gonzaga da Silva, Gegê, há poucas chances de surgir alguma solução por parte da secretaria da Habitação. “Vão levar os parlamentares da oposição mais meia dúzia de lideranças para explicarem que não há uma solução viável no momento. Eu não considero essa reunião e nem sei se irei. Para nós, não existe alternativa. Vamos ocupar quantas vezes for necessário, pois não cumpriram com a decisão da juíza, que no mandado pede a reintegração de posse com a garantia imediata de assistência. Saímos daqui sem garantia alguma, então vamos resistir”, disse.

 

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